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Por que o ovo de Páscoa continua caro mesmo com a queda do preço do cacau


Chocolates vendidos agora foram produzidos com amêndoa comprada meses atrás, quando as cotações batiam recordes de alta.

Por Fábio Gonçalves

Por que o ovo de Páscoa continua caro mesmo com a queda do preço do cacau

Mesmo com queda no preço do cacau, chocolate segue caro na Páscoa

Apesar da forte queda no preço do cacau no Brasil e no mercado internacional, o consumidor ainda encontra o chocolate mais caro nesta Páscoa. Segundo o IBGE, os preços de chocolates em barra e bombons subiram 24,8% nos últimos 12 meses.

No campo, a realidade é oposta. Produtores da Bahia recebem, em média, R$ 167 por arroba — valor muito inferior aos R$ 718 registrados no mesmo período do ano passado. No Pará, o quilo do cacau caiu de R$ 44 para cerca de R$ 9,50.

De acordo com o analista Lucca Bezzon, da StoneX Brasil, o descompasso ocorre porque a indústria ainda utiliza matéria-prima comprada quando o cacau atingia preços recordes. Como as compras são feitas com antecedência de até um ano, o impacto da queda ainda não chegou ao consumidor.

Atualmente, o cacau é negociado por cerca de US$ 3 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, bem abaixo dos US$ 8 mil registrados há um ano. A tendência, segundo especialistas, é de redução gradual nos preços ao longo do segundo semestre.

A alta anterior foi causada pela quebra de safra em grandes produtores, como Costa do Marfim e Gana, afetados por condições climáticas adversas ligadas ao El Niño, além de pragas e doenças.

Enquanto isso, segundo o especialista Carlos Cogo, a indústria tem priorizado a recuperação de margens de lucro antes de repassar a queda dos custos ao consumidor.